quinta-feira, 12 de julho de 2012

lavras novas

julho em lavras novas
adivinhar através da bruma
conversa fiada à beira do fogão de lenha
pinga da boa que se bebe na cabaça

o uai nativo
mistura-se a sotaques
antes
quilombo nas geraes
hoje
pouso e destino de quanta gente

na rua dos prazeres
a capela acesa pra missa
a estrada real testemunha
e o trem da vale
anuncia a passagem do tempo

quinta-feira, 14 de junho de 2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

o verbo e o zen


sol de dezembro
nascimento e manifestação do Cristo
lua cheia de maio
nascimento e iluminação do Buda



domingo, 6 de maio de 2012

vida inteira

janela 
da alma
indiscreta
voyeur
do lado direito
um cisto apócrino (.)
meus achados
,perdidos,

mosaico
vitral
quebra-cabeça 
unir pontas e
extremidades
tarefa pra vida 
inteira

sábado, 5 de maio de 2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

roda da vida

memória do corpo
inspira o pulsar
carne
nervos
ossos
afirmação da vida 
provoca
tudo expira
- reparem, 
a realidade 
é mais forte 
do que o querer

sexta-feira, 27 de abril de 2012

viajor

quem é esse
viajor
com ele 
adestro meu olhar
adorno emoções 
refino pensamentos
um momento 
preenchido
particular 
e universal
ao mesmo tempo
humano 
e numinoso

quarta-feira, 18 de abril de 2012

gata pagu

olhos oblíquos de Pagu
atravessam a carne da gente
inventa movimentos
alonga membros
corcoveia no ar
emite sons 
de outras naturezas
gata-lebre
gata-pomba
gata-loba
bicho de hábitos 
e afetos
tudo cheiro
tudo instinto
simples assim
existir lhe basta

cais do oriente

traço a pele 
com nanquim
em tons de ocre e carmesim
enquanto o verão não chega,
ensaio caligrafias.
arrisco silhuetas,
no papel de arroz.
em delicada 
seda pura,
aquarelas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Paladar


A primeira vez
do cardamomo:
alfazema e lavanda,
verão, de repente.

clairs-de-lune

lua minguante
espada sarracena
silhueta mourisca


identidade

peixes sol
ascendente escorpião
lua cancer
carioca da gema e da Saúde
cercada de água por todos os lados
às vezes ilha 
às vezes o mundo
sempre muitas
porque, no momento, é o que posso