lua cheia
orvalho
entre as pernas,
durmo tua
acordo
cachoeira
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
corda bamba
Intimamente
Cultivava o estranho hábito,
[Indolor] por sinal,
De andar na corda bamba.
10 dedos sobrepostos em prece
Ao anjinho,
Barroco e descabelado.sexta-feira, 30 de agosto de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
quarta-feira, 19 de junho de 2013
verão em púrpura
dEbruço-me
sobre o fruto entumescido.
nO fluido licoroso
as operárias e a rainha
se embriagam.
as amoras do jardim ao lado se precipitam chão abaixo.
vErão em
púrpura.
sobre o fruto entumescido.
aspiro o olor da amora:
silvestre, madura.
silvestre, madura.
em doses homeopáticas
adentra minhas narinas.
nO fluido licoroso
as operárias e a rainha
se embriagam.
as amoras do jardim ao lado se precipitam chão abaixo.
vErão em
púrpura.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
apocalípticos e desintegrados
A palavra me sustenta.
Ainda há de me salvar,
Ainda há de me salvar,
a palavra.
Uma bocarra
por onde escoe
toda imundície.
Uma cloaca fenomenal e disposta.
Um andróide
suburbano
irá nos redimir,
quando
2 redemoinhos turbinados
colidirem na
linha do horizonte.
terça-feira, 11 de junho de 2013
crisálida
preencho-me do nada.
assim são os seres.
aquela semente acolá...em estado de repouso.
a borboleta em seu casulo, crisálida, casta,
sem quereres.
uma única vela é capaz de iluminar,
mais que a aurora boreal,
o céu do hemisfério norte.
o nada me preenche, outras vezes me esgota.
teria que nascer infinitamente se quisesse cessar.
pra não existir, apenas uma.
assim são os seres.
aquela semente acolá...em estado de repouso.
a borboleta em seu casulo, crisálida, casta,
sem quereres.
uma única vela é capaz de iluminar,
mais que a aurora boreal,
o céu do hemisfério norte.
o nada me preenche, outras vezes me esgota.
teria que nascer infinitamente se quisesse cessar.
pra não existir, apenas uma.
terça-feira, 4 de junho de 2013
cavalo marinho
um sentimento
dissidente
se precipita
em mil facadas
falácias
estilhaços
o estrangeiro
Odisseu
não duvidaria
da minha sina
eu, tão longe do mar
o mar ancorado em mim
maremotos
marés
cavalos marinhos
viram brincos de princesa
o cais não me aproxima
o continente
prolonga a melancolia
essa herança lusitana
encrustada
em verde jade
viajante. latejante.
dissidente
se precipita
em mil facadas
falácias
estilhaços
o estrangeiro
Odisseu
não duvidaria
da minha sina
eu, tão longe do mar
o mar ancorado em mim
maremotos
marés
cavalos marinhos
viram brincos de princesa
o cais não me aproxima
o continente
prolonga a melancolia
essa herança lusitana
encrustada
em verde jade
viajante. latejante.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
amor aos pedaços
*
fez-se o amor
aos pedaços,
doce e mutilado.
entre o vômito e o sangue coagulados.
nunca mais mãos entre mãos,
nunca [mais] sofregidão.
friccionar
nossos sexos sob os lençóis
de um hotel ordinário.
apenas a denúncia da ausência.
**
o espírito livre se inquieta
porque sabe da inutilidade do Deus vingador
sabe da sua orfandade, esse espírito livre
da incompletude de toda metafísica
se regojiza nas esquinas
território de ninguém
fez-se o amor
aos pedaços,
doce e mutilado.
entre o vômito e o sangue coagulados.
nunca mais mãos entre mãos,
nunca [mais] sofregidão.
friccionar
nossos sexos sob os lençóis
de um hotel ordinário.
apenas a denúncia da ausência.
**
o espírito livre se inquieta
porque sabe da inutilidade do Deus vingador
sabe da sua orfandade, esse espírito livre
da incompletude de toda metafísica
se regojiza nas esquinas
território de ninguém
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Verbo
Ninguém amou como ela. Talvez.
Telas pintadas
Cartas rebuscadas
Declarações à parte
O cotidiano
Foi tomado pela volúpia
Não havia tempo para delongas
Dar brilho na prataria,
Desinfetar com álcool as taças de tinto,
Os sequilhos de coco
- Guardá-los em latas de leite em pó -
No fundo do quintal
Curumins tamborilam
Um ritmo binário e ancestral
Bundas crioulas arrochadas
Em cangas de algodão seridó
Se entediam em meio ao frenesi
Uníssonas e solidárias
Verbo: era a vida que nos vivia
Telas pintadas
Cartas rebuscadas
Declarações à parte
O cotidiano
Foi tomado pela volúpia
Não havia tempo para delongas
Dar brilho na prataria,
Desinfetar com álcool as taças de tinto,
Os sequilhos de coco
- Guardá-los em latas de leite em pó -
No fundo do quintal
Curumins tamborilam
Um ritmo binário e ancestral
Bundas crioulas arrochadas
Em cangas de algodão seridó
Se entediam em meio ao frenesi
Uníssonas e solidárias
Verbo: era a vida que nos vivia
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Arpoador
dia santo
todo santo dia
as gaivotas alçam vôo
o mar do Arpoador
oriundo verde único
pro fundo
deu 6 da tarde
no relógio de pulso
caminha a memória
passageira
sem pressa
porque é janeiro no Rio
me banho de lua
poupo minha pele
do castigo tropical
os pés buscam o contato
quente-fino da areia
as Havaianas?
servem pra nada
todo santo dia
as gaivotas alçam vôo
o mar do Arpoador
oriundo verde único
pro fundo
deu 6 da tarde
no relógio de pulso
caminha a memória
passageira
sem pressa
porque é janeiro no Rio
me banho de lua
poupo minha pele
do castigo tropical
os pés buscam o contato
quente-fino da areia
as Havaianas?
servem pra nada
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Abigail
o dia era para enfatiotar-se
anel de alpaca no indicador direito
a pedra da lua ungida pelo padrinho
casaquinho de cambraia bois de rose
peitilho bordado com fio de cabelo
um primor das prendas domésticas
o tilintar das pulseiras
dos colares de baquelite
(clac, clac, clac)
boquinha de lacre
olhinhos de kajal
um excesso sem culpas
nem desculpas
(resquícios da fidalguia)
anel de alpaca no indicador direito
a pedra da lua ungida pelo padrinho
casaquinho de cambraia bois de rose
peitilho bordado com fio de cabelo
um primor das prendas domésticas
o tilintar das pulseiras
dos colares de baquelite
(clac, clac, clac)
boquinha de lacre
olhinhos de kajal
um excesso sem culpas
nem desculpas
(resquícios da fidalguia)
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Desassossego
Depois
o
pulso
recebeu
um
poema.
Veio
com
todo
o rigor. Vigor.
Em
espasmos
quase
imperceptíveis.
Ah,
quanta
vontade.
Necessidade
mediúnica
do
ser tomado.
Persuade
a
mão.
Impressão
digital.
Adjetivo superlativo absoluto sintético - urgentíssimo.
Surrupia
sujeitos,
deflagra
acentos.
Uma escrita
de
desassossego,
camaleônica,
ornada
em braile.
o
pulso
recebeu
um
poema.
Veio
com
todo
o rigor. Vigor.
Em
espasmos
quase
imperceptíveis.
Ah,
quanta
vontade.
Necessidade
mediúnica
do
ser tomado.
Persuade
a
mão.
Impressão
digital.
Adjetivo superlativo absoluto sintético - urgentíssimo.
Surrupia
sujeitos,
deflagra
acentos.
Uma escrita
de
desassossego,
camaleônica,
ornada
em braile.
terça-feira, 30 de abril de 2013
bérberes
azinhavre no fuzil
a vereda de buritis
subtrai a batalha
no deserto
o vento contra-alísio
espalha a novidade
e compõe
uma sinfonia distinta: bafo, sopro, assobio
atiça dunas
movimenta caravanas
<se orientam por cartas celestes>
sem cerimônia
galopam
planícies de sal
carne viva nômade,
bérbere
pertencem ao tempo
senhores de areia
divindades sem altares
se revezam
entre trajes de índigo
cospem a ferida
macerada dos ancestrais
íntimos da sua condição
ainda tantos
quase muitos
tuaregs
a vereda de buritis
subtrai a batalha
no deserto
o vento contra-alísio
espalha a novidade
e compõe
uma sinfonia distinta: bafo, sopro, assobio
atiça dunas
movimenta caravanas
<se orientam por cartas celestes>
sem cerimônia
galopam
planícies de sal
carne viva nômade,
bérbere
pertencem ao tempo
senhores de areia
divindades sem altares
se revezam
entre trajes de índigo
cospem a ferida
macerada dos ancestrais
íntimos da sua condição
ainda tantos
quase muitos
tuaregs
quinta-feira, 25 de abril de 2013
25 de abril
A madrugada amplificava
o ruído surdo do metal
na porta de serviço
Madrugada caprichosa
daquelas que ecoam pensamentos
de umas cores indizíveis,
forma insinuante e corpulenta
propícios ao último sonho da noite
Uma luz ínfima espreita por trás da persiana
cega as retinas (acostumadas à penumbra do quarto)
os cravos vermelhos, presente do amante português
secos - virariam pout-pourri no vaso de baccarat
A madrugada
rubra, colorada e carmim
amplificada no ruído surdo do metal
quinta-feira, 18 de abril de 2013
haikai por um triz
o arco-íris
circunda
a lua plena
no ápice
da forma
pousa
seu semblante
sobre os viajantes
sobre a rã de Bashô
sexta-feira, 12 de abril de 2013
oráculo
faço plantão das minhas emoções
dia/noite/dia/noite/dia/noite/dia:
um Narciso
se deliciando com a própria imagem
_ ai de mim assim tão identificada
dia/noite/dia/noite/dia/noite/dia:
um Narciso
se deliciando com a própria imagem
_ ai de mim assim tão identificada
sexta-feira, 15 de março de 2013
eterno retorno
babe,
descolei aquele ticket to ride
acendo uma vela
juro queimar os devaneios
mergulho na rotina
me distancio do sonho
- ah, esse eterno retorno,
- ah, esse eterno retorno,
mistério que nos acompanha.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
por tenho por supuesto
tempo e contratempo
castelhanos e milongueiros
herdeiros dos bordéis
do jogo de pernas sensuais
um trago e
castelhanos e milongueiros
herdeiros dos bordéis
do jogo de pernas sensuais
um trago e
mil tangos na garganta
- outro expresso, por favor
os intermináveis cafés
a florida e a corrientes
disputam a atenção da bela portenha
o bandoneón solitário
acompanha o ritmo dos passantes
doppio più lento
talvez pelo calor improvável
pouco temperado, muito tropical
tempo e contratempo
a cidade decó-nouveau
toda prosa dos seus monumentos
as esquinas em uníssono sussurram:
evita-me se fores capaz
- outro expresso, por favor
os intermináveis cafés
a florida e a corrientes
disputam a atenção da bela portenha
o bandoneón solitário
acompanha o ritmo dos passantes
doppio più lento
talvez pelo calor improvável
pouco temperado, muito tropical
tempo e contratempo
a cidade decó-nouveau
toda prosa dos seus monumentos
as esquinas em uníssono sussurram:
evita-me se fores capaz
terça-feira, 27 de novembro de 2012
árvore do re.conhecimento
havia paz
quando deus
era o inconsciente
dos homens
a existência nas asas
nos musgos frescos
na chuva tépida
inocência crua
que nem coito de bicho
mas deus quis virar
adão sapiens sapiens
livre arbítrio
passado
presente
futuro
terça-feira, 30 de outubro de 2012
polaroid
um poema
tal qual uma foto
aguardando pra ser revisitado
numa manhã de domingo
toda vez que se lê
sentidos afloram
permeiam sensações
não é algo que se decida
que se assemelhe à vontade
é um desembrulhar experiências
na urgência da vida
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Eros e Psyche
seja como for
temos nos estranhado
bêbados de tanta afirmação
titubeantes de certezas
de dia a ira
de noite calmaria
a certeza dos amantes
é a agonia
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
céu de brasília
pela fresta da janela
o céu de brasília
azul de metileno
giz
azulejo
aniz
360º
vis a vis
o céu de brasília
azul de metileno
giz
azulejo
aniz
360º
vis a vis
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